domingo, 18 de abril de 2010

Se minhas Mãos Pudessem Desfolhar

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Federico Garcia Lorca

10 de Novembro de 1919
(Granada)

Bjs
MaNa

Um comentário:

Tatiana disse...

Garcia Lorca é maravilhoso. Este poema é tocante. Continuem postando poemas. Tentem Manuel Bandeira, Carlos Drumonnd de Andrade, Florbla Espanca.